Partido Nacionalista Democrático

 


 

SER NACIONALISTA
 

Busquemos o depoimento do Padre Francisco Vidal Barbosa nos AUTOS DE DEVASSA DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA, II, “... ouvira unicamente dizer, a seu irmão Domingos Vidal no mez de Outubro do anno preterito, segundo sua lembrança, que frequentando elle os Estudos de Medicina na Universidade de Montpelier, na mesma andava, tambem um estudante, Fulano Maya, natural do Rio de Janeiro, o qual concebera a extravagancia, e teve animosidade de procurar o Ministro da América Ingleza, que se achava em França, para com o mesmo tratar sobre a liberdade dos Patriotas, dos quaes se affectava Commissario; ... e teve então resposta do dito Ministro; que se isso era certo, que a sua Nação não teria duvida em ajudal-os e dar-lhes todo o socorro; comtanto porém, que fossem seus Alliados; que lhe tomassem seu Bacalhau, e lhes fossem francos o commercio, e o porto,...”

Não temos dúvidas a respeito do comportamento nacionalista daquele Ministro da América Inglesa, no longínquo mil, setecentos e tanto.

Quando Margareth Thacher, Miterrand, Al Gore, J. Major, Gen P. Hughes, Gorbatchov, etc, se referem de forma desaforada, cada um a sua maneira, pondo em discussão a soberania do Brasil sobre a Amazônia, estão realizando uma prática nacionalista, na defesa dos interesses das suas Pátrias. Tal tema posto à tona pelas várias correntes da esquerda e da direita e alvo de reportagens pela TV, de há muito tem sido alertado pelos nacionalistas brasileiros.Esses, no entanto, por terem desfraldado uma bandeira, e terem gravado no próprio peito a mensagem que se faz necessária para aglutinar, são combatidos na essência da expressão, pretendendo diminuir-lhes a força antes mesmo do toque de reunir para o contra-ataque.

Ou lhe tomam seu bacalhau e lhes sejam francos o porto e o comércio, com as novas formas de embalagens, mas fundamentados nos mesmos princípios, ou são jurássicos, como hoje propalam, depois do sucesso do parque, ou retrógrados como já o disseram e escreveram no passado, tendo a reboque uma pregação de que as expressões lingüísticas importadas e postas em evidência nos centros comerciais e letreiros, que o povo não entende, são forma de cultura incorporada e positiva. A Nação paga um preço alto na deslavada desnacionalização por cegueira e presunção dos intelectuais de toda ordem que dos seus pedestais derramam falação ponteada de nomes e frases em inglês, para que os outros lhes admirem e atribuam autoridade. Fazem cursos no exterior, mas não conseguem traduzir para o nosso idioma o que aprenderam, estimulando seu anseio de autovalorização. Nesse particular, lembremo-nos de um curso – dos mais antigos - que se propõe a ensinar tal idioma, necessário e importante, mas que mantém a sua marca escrita em português.

Outra pregação deletéria diz respeito a fazer crer ao próprio brasileiro que o País é racista, dando-se ouvidos a uma escritora americana, cuja nação, dita repositório da liberdade, nos anos 1950/1960 ainda mantinha os lugares de um ônibus, divididos aos seus cidadãos pela cor da pele, venha a alardear que o período da escravatura brasileira tenha sido dos mais perversos. Por abominável que seja, não foi diferente dos infligidos aos derrotados ao longo da história, por contendores com a mesma cor de pele.

Ser nacionalista é brigar com a emoção, fazendo com que as lágrimas não lhe impeçam de cantar o Hino Nacional; é repudiar a exclamação fácil do apresentador, repórter ou jornalista das conexões internacionais, que não sendo cômicos, vivem a denegrir as condições do Brasil, com sorrisos sarcásticos, caracterizando-o como o pior dos feitos, por vezes, promovendo retumbância pela briga pessoal entre um mestiço brasileiro de tez mais clara com um de tez mais escura, rotulando-a da mesma forma como a experimentada pela África do Sul, importando uma expressão e um comportamento típicos da colonização inglesa de rejeição à miscigenação, completamente diferente da formação da nossa nacionalidade mesclada fundamentalmente por portugueses, brasileiros primitivos e africanos.

Ser nacionalista é pretender que o Brasil se equipare aos mais desenvolvidos, sem precisar importar um simples componente de um rádio-transmissor de emprego militar de um outro país e submeter-se às ordens do seu Departamento de Estado para viabilizar a exportação desse equipamento, infinitésimo de desenvolvimento; é almejar que a ciência e a defesa se encontrem na busca do fortalecimento para que o País seja ouvido com a mesma intensidade sonora gerada por outras nações, nem sempre do primeiro mundo, mas que, com determinação alcançaram esse patamar; é querer que o bem-estar atinja todas as camadas sociais, por meio dos pilares que sustentam o desenvolvimento de produzir, consumir e empregar, que os efeitos conseqüentes brotarão na saúde e na educação; é desprezar os governantes que colocaram e colocam pá de cal na altivez de um povo.

Ser nacionalista é comprometer-se com o Brasil, seu desenvolvimento e sua gente, para ser forte o suficiente e conviver em paz com outras nações.

Ernesto Caruso
Secretário-geral do Partido Nacionalista Democrático

Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 2003

 

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