Partido Nacionalista Democrático

 


 

Nacionalismo como família

Ernesto Caruso, 25/03/2005

A característica gregária do ser humano, à semelhança de outros tantos animais, exerceu forte poder aglutinador para que a sobrevivência fosse assegurada ao grupo, como necessidade precípua à própria existência. O porrete que servia só para bater, com uma ponta afiada se transforma em lança para espetar a caça ou o desafeto. Se menor, mais leve e associada a um arco, alcança maiores distâncias caçando ou guerreando mais afastado do perigo. Grande evolução técnica para o início da vida terrena. Da pedra lascada à bomba atômica não mudou muito.

A cabeça do humano continua a mesma, sempre se preparando para a "defesa" como mandam os bons princípios - ministérios da guerra se transformando em ministérios da defesa - pois que um inimigo, o dos maus princípios, com as justificativas as mais diversas pode atacá-lo. A História ensina e não há desculpa para os descuidados: um homem faz a guerra. Fez no passado longínquo, o mais remoto possível registrado nos livros; são relembrados por ex-combatentes que com a voz embargada, lágrimas nos olhos, peso da idade e marcas das guerras, execram seus abomináveis nomes nas comemorações das vitórias, como a transmitir lições pouco absorvidas; são vistos hoje pela TV em todas as partes do mundo, reprisando os que loucamente motivaram seus povos em aventuras expansionistas, por ditames econômicos, colonialistas, hegemônicos ou até religiosos, misturados ou não; mais desprezíveis, ainda, por interesse pessoal-corporativo empresarial.

Contudo, no mundo, a maioria é contrária ao emprego da força, sem descurar que a base do sistema é alimentada por interesses tão próximos e fundamentalmente interligados como nos laços de família. Cada uma dessas células dá prioridade ao sustento, ao atendimento médico e à educação dos seus integrantes, compreendendo as mesmas necessidades que as outras têm, abdicando todas de parte das próprias receitas em nome do bem-comum, traduzido por uma complexa gama de suprimentos muito além da horta do quintal até o chamado projeto guerra nas estrelas como meio de defesa de uma possível agressão.

Assim, como as famílias têm as suas bandeiras marcadas pelo sobrenome que orgulhosamente ostentam, algumas representadas pelos brasões e diplomas da genealogia, que no somatório da macro-organização da pátria enlevam os seus símbolos aos píncaros do respeito e veneração, defendendo-os com o sacrifício da própria vida como emocionalmente juram os militares integrantes dessa sociedade, mas de cuja responsabilidade o Poder Nacional não pode abdicar.

As famílias não se confrontam para vencer e, sim, competem para viver em harmonia, acatando a recíproca dependência. Amor ao próximo onde ele estiver. Os Estados com o mesmo ideário assim se entendem. Uns e outros convivem com as falhas do ser humano de onde emergem os conflitos de natureza interna e externa impondo as reações equilibradas e fortes o suficiente para desestimular, conter e reagir no nível imposto pela contenda e evitar o solapamento das bases de sustentação da sociedade e do Estado, patrioticamente.

É imperioso que nós brasileiros assim procuremos nos entender, sentindo um nacionalismo no âmago do ser, valorizando o seu torrão - rico, sob todas as formas - e com ardor para superar obstáculos de toda ordem, fortalecendo o nosso idioma, herança vitoriosa no país-continente; integrando cada vez os esquecidos pelos sagazes e sequazes de má estirpe; exaltando a sociedade étnica ímpar no universo, resultado da secular mestiçagem; cultuando seus heróis que o foram no seu tempo e precisam ser perpetuados como elo de fortalecimento; admirando as cores nacionais e a beleza do seu pavilhão; cantando, sorvendo e entendendo cada verso do seu hino, como se fora um dos seus autores.

Conviver com os admiradores do patriotismo das nações que praticam tudo isso, idolatrando entusiasticamente as suas bandeiras, mas que desclassificam o sentimento de brasilidade, de início como coisa de "careta" ou própria do burlesco, quiçá generalizando e enquadrando aqueles com os que abominam aprender outros idiomas como o inglês e o francês, abrandados no exame ao Itamarati, que não bebem determinado refrigerante por causa da marca e não pelo sabor, que não entram em um bar por se chamar mc-qualquer, que são adeptos da economia estatal e do partido único; que a religião é o ópio do povo e que toda a propriedade pertence ao Estado.

Há que se distinguir o sempre e verdadeiro nacionalista daquele que no passado foi chamado de "melancia", vermelho por dentro e verde por fora.

Não há desdouro em defender os interesses da sua Pátria contra propostas arrogantes como a mais recente apresentada pelo francês Pascal Lamy candidato à direção da Organização Mundial do Comércio, repetindo sugestões como gestão compartilhada, bem público global, somadas aos pronunciamentos antigos de Miterrand, Al Gore, Major, Gorbachev, Kissinger, etc sobre a internacionalização da Amazônia - ameaças externas - nem sempre com soldados e metralhas, mas com o poder do capital, associado vergonhosamente a agentes internos envolvidos na nova proposta de privatização da Amazônia, loteada por trinta dinheiros. Crucificaram Jesus. Enforcaram Tiradentes.

 

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